Por Ricardo Afonso Teixeira*


Um terço dos portadores de enxaqueca percebem frequentemente estigma associado à sua doença e isso está associado à dificuldade no controle das crises de cefaleia e a uma pior qualidade de vida.

As pessoas que sofrem de enxaqueca explicitam a dificuldade que os outros têm de entender o quanto sua condição é capaz de restringir as atividades do dia a dia. A enxaqueca tem impacto negativo na vida acadêmica e profissional, limita o convívio familiar e social, isso sem falar na restrição de atividades de lazer e exercício físico. Muitos apresentam até um quadro de ansiedade antecipatória que é um fantasma para qualquer compromisso futuro. Marcarei esta reunião tão importante? E se no dia eu apresentar uma daquelas crises fortes? Compro ingresso para este show? E se no dia?

Vale lembrar que a enxaqueca é a segunda causa de incapacidade entre todas as doenças e, quando miramos nas mulheres com até 50 anos, ela é a principal causa de incapacidade. Os relatos dos pacientes demonstram que eles percebem o estigma até entre os familiares. Não vai à festa com a gente por conta de enxaqueca? Mas de novo? No ambiente de trabalho, não é tão comum a compreensão de que uma crise de enxaqueca é razão suficiente para que uma pessoa falte naquele dia.

O estigma associado à enxaqueca pode ser dividido em dois tipos. O primeiro é quando a pessoa sente que os outros estão achando que ela está se aproveitando para tirar vantagem e ir para casa antes do fim do expediente, por exemplo. Outro tipo é a percepção de que as pessoas estão achando que o problema está sendo supervalorizado. Afinal é só uma enxaqueca.

A relação entre estigma e controle das crises é aparentemente bidirecional. Aqueles que sofrem com crises mais incapacitantes percebem mais o estigma. Por outro lado, a percepção de estigma pode piorar o controle das crises. Temos evidências de que o estigma tem mais impacto na qualidade de vida do paciente com enxaqueca que a frequência de suas crises!

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

Ricardo Afonso Teixeira*

No ano de 2012, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia sugeriu que a cólica dos lactentes pode na verdade ser uma precursora da enxaqueca ao mostrar que o risco é mais de duas vezes maior nos bebês que têm mães que sofrem de enxaqueca. Enquanto 29% dos bebês de mães com enxaqueca apresentavam cólica, apenas 11% daqueles de mães sem enxaqueca tinham o problema.

No ano seguinte, outro estudo de muito impacto encorpou a ideia dessa associação ao mostrar que crianças e adolescentes com enxaqueca tinham muito mais chances de ter apresentado cólica quando bebês quando comparadas a controles sem enxaqueca (72.6% X 26.5%). Desde então uma série de estudos, incluindo uma metanálise, vêm confirmando esses resultados.

Existem algumas condições clínicas que acontecem de forma recorrente na infância e que são entendidas como expressões precoces de genes que mais tarde serão expressos como enxaqueca. Entre essas condições podemos citar crises de torcicolo, vertigem, vômitos cíclicos, além das misteriosas cólicas dos bebês.

O choro normal da criança começa a se intensificar nas primeiras semanas de vida, alcança o seu topo entre a sexta e oitava semana, e aos três meses já começa a dar uma trégua. A cólica dos bebês é uma forma intensificada desse choro e é definida como crises de choro por pelo menos três horas e pelo menos três vezes por semana.  Também é chamada de choro inconsolável e está associada a uma maior incidência de casos da síndrome do bebê chacoalhado, condição em que um adulto sacode a criança para discipliná-la tentando interromper o choro. Isso pode levar a lesões traumáticas de diferentes gravidades.

O termo cólica traz uma conotação de que o desconforto tem origem no aparelho digestivo e são vários os estudos que tentam ligar a cólica com gases intestinais, microbiota, alergia à proteína do leite, intolerância à lactose. Alguns apresentam resultados positivos e outros negativos.  

Por que seria um bebê com bagagem genética de um “cérebro de enxaqueca” mais propenso a ter crise de choro? Uma das maiores características de um cérebro enxaquecoso é a hiperexcitabilidade, uma maior sensibilidade a estímulos sensoriais como ruídos e luz. A transição do útero para o mundo cheio de estímulos pode fazer mesmo diferença a partir de algumas semanas, a partir de um nível de desenvolvimento da acuidade visual e auditiva. Isso pode explicar o porquê da cólica ser mais frequente entre a sexta e oitava semana de vida, e não no período neonatal. Uma pesquisa chegou a demonstrar que a restrição de estímulos sensoriais foi capaz de reduzir o problema.

Com esse corpo de conhecimento, já se discute a modificação do termo cólica por algo como “Agitação Paroxística do Lactente” já que a raiz do problema pode ter mais a ver com o cérebro do que com a barriga.

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

Por Dr, Ricardo Afonso Teixeira*

A maioria das mulheres melhoram muito das crises de enxaqueca no período da gravidez, mas cerca de 8% pioram nessa fase e isso aumenta o risco de desfechos clínicos ruins, tanto da mãe quanto do bebê. É muito comum na prática clínica de um neurologista o atendimento de gestantes sofrendo de crises debilitantes de enxaqueca e na maioria das vezes por subtratamento. É frequente a gestante receber a orientação de que o paracetamol é a medicação mais indicada nesses casos. Entretanto, as crises nem sempre são responsivas a essa medicação.

Os triptanos são uma família de medicações com eficácia superior aos analgésicos comuns, como o paracetamol, e há vários anos já são considerados seguros no tratamento da enxaqueca na gestação. Entretanto, estima-se que três em cada quatro mulheres interrompem o uso dessas medicações ao descobrirem que estão grávidas.

O sumatriptano é o mais estudado deles e esta semana tivemos mais uma evidência robusta que seu uso antes e durante a gravidez não interferiu no neurodesenvolvimento de crianças acompanhadas por oito anos em média, alguns até os 14 anos de idade. De todas as gestações na Noruega, os filhos das mulheres que usaram sumatriptano no último ano antes da gravidez e durante a gravidez não apresentaram maiores índices de retardo mental, transtornos de comportamento ou linguagem, transtorno do espectro autista ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.  Ótimas notícias para as gestantes e mais uma evidência para encorajar os médicos a perderem o receio de prescrever triptanos durante a gestação. O estudo foi publicado recentemente na Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia.

* Extraído da coluna semanal Neurônios em Dia, parceria entre o Instituto do Cérebro de Brasília e o Correio Braziliense. Confira mais sobre esse assunto e outros conteúdos acessando nosso site (link na bio): http://www.icbneuro.com.br

Por Ricardo Afonso Teixeira*

Uma crise de enxaqueca pode ser precedida por alguns minutos por alterações sensoriais, como estrelinhas no campo visual, que duram habitualmente poucos minutos. Este é um fenômeno que ocorre em cerca de um quarto das pessoas que sofrem de enxaqueca e é chamado de aura, uma das quatro fases da doença. Outra fase é a própria dor e ainda existem duas outras que falaremos a seguir.  

Antes mesmo dos sintomas de aura, muitas pessoas percebem, até com 48 horas de antecedência, que uma crise está por vir. Os sintomas incluem um aumento do apetite e sensibilidade à luz e a estímulos sonoros, fadiga, tontura, rigidez e/ou dor na musculatura do pescoço, bocejos, irritabilidade, entre outros. Esses sintomas premonitórios representam a fase prodrômica da enxaqueca. A última fase é chamada de posdrômica, com sintomas semelhantes às da fase prodrômica e é como se fosse uma ressaca após a fase de dor, podendo durar até 48 horas.

      

Se a maioria das pessoas com enxaqueca reconhece sintomas premonitórios, um estudo mostrou que este é o caso em 77% dos pacientes, por que não usar uma medicação para abortar a crise ainda nesta fase? Teoricamente isso faz todo sentido e nesta quarta-feira (28 agosto) tivemos a publicação de um estudo na revista Neurology da Academia Americana de Neurologia mostrando de forma pioneira que o uso de medicação já no pródromo é mais eficaz do que no início da fase de dor. A medicação utilizada foi o ubrogepant, ainda não disponível em nosso meio, mas os resultados positivos podem se replicados com medicações disponíveis no Brasil e precisam ser testados em novos estudos.

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

Por Dr. Ricardo Afonso Teixeira

Ela tem crises de enxaqueca, como ela mesmo diz, desde que se entende por gente. As crises começaram aos 13 anos de idade, mais fortes no período próximo à menstruação, frequentemente acompanhada de náusea, intolerância à luz, cheiros e ruídos. A dor costuma ser forte, às vezes tão forte que as medicações que usa para abortar a crise não funcionam, e acaba procurando ajuda no hospital onde lhe é prescrito um remédio na veia que consegue aliviar o sofrimento. Isso interfere sobremaneira na sua qualidade de vida, mas não a deixava sem dormir pensando que pudesse ter outro diagnóstico diferente da enxaqueca.

Por vezes apresentava crises de vertigem, como uma “labirintite”, que durava dois a três dias e que foram identificadas como migrânea vestibular, um transtorno do sistema do labirinto associado à enxaqueca. Isso também não lhe preocupava tanto. Uma vez, antes do fenômeno doloroso, passou a enxergar flashes de zigue zague no campo visual direito seguidos por dificuldade em sem se comunicar. Isso gerou muito mais preocupação, pois tinha sido inédito e pensava que poderia estar acontecendo um derrame cerebral. Ficou mais tranquila com a transitoriedade do fenômeno, 20 minutos, e após consultar seu médico que lhe tranquilizou que os sintomas também podem acontecer em pessoas que sofrem de enxaqueca.

Mais recentemente, ela teve mais uma crise forte, mas dessa vez acompanhada de grande inchaço ao redor de um dos olhos com duração de poucos dias. O quadro a deixou muito angustiada e novamente interrogou se não poderia ter ocorrido um derrame cerebral. Seu médico a acalmou dizendo, mais uma vez, que o inchaço pode ser esperado em pacientes com enxaqueca.

Esse tipo de inchaço é decorrente de uma maior ativação do sistema parassimpático e é mais comumente encontrado em outro grupo de dor de cabeça chamado de cefaleias trigeminovasculares, como é o caso da cefaleia em salvas. É uma expressão do desequilíbrio do sistema nervoso autônomo no momento da crise e não é incomum entre os pacientes com enxaqueca. Estudos mostram que até 75% dos que sofrem de enxaqueca podem apresentar em algum momento sintomas disautonômicos cranianos que, além do inchaço palpebral, podem incluir lacrimejamento, congestão/corrimento nasal, pressão no ouvido, vermelhidão ocular, queda palpebral e rubor/suor facial. Os sintomas podem ser uni ou bilaterais e o inchaço palpebral pode ocorrer em um terço dos pacientes. E não tem nenhuma relação com derrame cerebral.        

Enxaqueca é uma condição clínica muito prevalente chegando a acometer uma em cada cinco mulheres. Por outro lado, cefaleia em salvas é mais rara e acomete preferencialmente os homens. As crises de dor de cabeça dessas duas condições clínicas dividem inúmeros aspectos em comum e, entre eles, está a tendência em ocorrer em determinados períodos do dia.

Uma análise publicada esta semana na Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia, mostrou que essa influência do relógio biológico ocorre em 71% e 50% dos pacientes com cefaleia em salvas e enxaqueca respectivamente, reforçando a influência do hipotálamo nesses casos. Hipotálamo é uma estrutura cerebral que controla o relógio biológico e tantas outras funções primárias como sono, fome e sede.

No caso da cefaleia em salvas, as crises costumam ocorrer do fim da noite até o amanhecer. É comum o paciente acordar com a dor, algo que também acontece muito na enxaqueca. Crises de salvas ocorrem mais na primavera e outono especialmente nos países com as estações bem delimitadas. Pacientes com salvas apresentam níveis maiores do hormônio cortisol e menores da melatonina.

Na enxaqueca as crises acontecem com ampla distribuição no curso do dia e são menos comuns no período da noite. Os níveis de melatonina também são reduzidos. Apesar de ainda termos um número limitado de estudos, uma das terapêuticas empregadas para a profilaxia de crises de enxaqueca e salvas é a melatonina. Os resultados até o momento são promissores.

*Ricardo Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e diretor do Instituto do Cérebro de Brasília.

White and Yellow Roller Coaster

Portadores de enxaqueca sofrem duas vezes mais de tontura numa montanha-russa virtual, e de forma mais intensa e prolongada.  Uma série de regiões do cérebro são ativadas de forma mais robusta entre aqueles que sofrem de enxaqueca, incluindo córtex occipital, cerebelo e núcleos da ponte no tronco cerebral. Um aumento de atividade nessa última área pode estar relacionado a uma transmissão anormal de estímulos sensoriais visuais e auditivos. O estudo foi publicado recentemente pela revista Neurology da Academia Americana de Neurologia.

A relação entre tontura e enxaqueca vai muito além de provocações ao sistema do labirinto provocadas por uns minutos na montanha-russa. Estima-se que 50% das pessoas têm crises de vertigem durante as crises de dor ou mesmo fora delas. A enxaqueca é considerada a principal causa de vertigem episódica em adultos e crianças e a essa condição clínica dá-se o nome de migrânea vestibular. O quadro de vertigem geralmente dura por horas a menos de três dias, e a raiz do problema, a princípio, se encontra em núcleos que modulam diversos estímulos sensoriais. Esses mesmos núcleos também estão envolvidos na resposta de ansiedade, e por isso, não é raro uma mesma pessoa apresentar enxaqueca, ansiedade e crises de vertigem.    .

Close-up of Coffee Cup

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É muito comum as pessoas que apresentam enxaqueca relatarem que costumam ter crises de dor de cabeça quando expostas a determinadas situações. A enxaqueca é uma condição neurológica que afeta cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens e é a terceira doença mais prevalente no mundo, acometendo mais de um bilhão de pessoas.

 

É estimado que cerca de 90% dos pacientes reconhecem ao menos um fator que desencadeia suas crises e mais de 80% deles reconheciam múltiplos fatores. Esses fatores são chamados de gatilhos e os mais citados são a menstruação, o estresse emocional, privação ou excesso de sono, alguns tipos de odores, jejum prolongado e o clima, especialmente o calor. Quase 20% reconhecem algum alimento como gatilho das crises, sendo o chocolate, queijos e salsicha os mais lembrados. Outros gatilhos menos comuns são a exposição à luz e ruídos fortes e o consumo de cafeína.

 

Falando agora especificamente sobe o consumo de bebidas que contêm cafeína, existe uma dose segura? Uma pesquisa publicada recentemente pelo prestigiado periódico JAMA aponta que até duas porções de bebidas cafeinadas  por dia é uma dose segura que não provoca piora das crises de enxaqueca.

 

O estudo foi conduzido pela Universidade de Harvard nos EUA e acompanhou por seis semanas 98 pacientes adultos com crises de enxaqueca frequentes. Duas doses de bebida cafeinada eram o equivalente a dois copos de 230 ml de café, duas xícaras de chá de 170ml, duas latas de refrigerante tipo cola ou duas porções de 60ml de energético. As duas doses por dia não conferiam piora das crises entre aqueles tinham o hábito de consumir tais bebidas, mas no caso das pessoas que raramente as tomavam, mesmo uma dose por dia já foi deletéria para o controle das crises.

 

Na enxaqueca, é de extrema importância a identificação dos gatilhos de crises e deve-se tentar evitá-los quando possível. Vale ressaltar que não existe uma lista rígida de situações que devem ser evitadas, pois cada pessoa responde de forma diferente a cada uma delas. No caso do cafezinho, até duas doses por dia, para quem o toma regularmente, parece ser uma quantidade segura.

 

 

Por Ricardo Teixeira*

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Estudos de fluxo sanguíneo cerebral apontam que as artérias do cérebro se contraem nas fases iniciais de uma crise de enxaqueca sugerindo que essa redução de fluxo, e menor oferta de oxigênio ao cérebro, possam ser fatores que colaboram para o desenvolvimento de uma crise. Estudos experimentais realmente mostram que essa redução de oxigênio é capaz de provocar dor de cabeça em quem costuma ter enxaqueca e até mesmo entre as pessoas que não sofrem dessa condição.

 

Pesquisas também demonstram ainda na década de 1950 que a inalação de gás carbônico, que provoca dilatação das artérias, é capaz de abortar crises de enxaqueca. Entretanto, os dispositivos de inalação utilizados nos experimentos não são nada amigáveis para o uso fora do laboratório.

 

Pesquisadores dinamarqueses acabam de publicar no periódico Cephalalgia da Sociedade Internacional de Cefaléia os resultados preliminares do uso de um novo dispositivo para inalação de gás carbônico que as pessoas com enxaqueca poderiam utilizar facilmente em casa. O dispositivo mostrou-se seguro e aumentou o fluxo sanguíneo em 70% em pacientes no início de uma crise de enxaqueca. Cerca de 80% dos pacientes estudados tiveram boa resposta no controle das crises, sem efeitos colaterais significativos e com início de ação já nos primeiros segundos da inalação.

 

O equipamento já está sendo produzida pela empresa dinamarquesa BalancAir, mas antes de passar para o dia a dia da prescrição médica, novos estudos deverão ser realizados com maior número de pacientes para confirmar esses resultados iniciais.

 

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

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Uma pesquisa publicada este mês pelo periódico Headache aponta que as mulheres têm uma piora de suas crises de enxaqueca quando estão no período de transição para a menopausa, especialmente aquelas que têm enxaqueca no período menstrual.
O estudo envolveu 3664 americanas com uma média de 46 anos de idade e também mostrou que, após instalada a menopausa, as crises de enxaqueca não dão muita trégua. Isso é um resultado contrário a estudos anteriores e precisa ser confirmado por novas pesquisas. Até o presente estudo, a menopausa era vista como um período de calmaria para as mulheres.
No período de transição para a menopausa 60-70% das mulheres apresentam sintomas que incluem calores e suores noturnos, redução da libido, irritabilidade e dor de cabeça. A mudança das flutuações hormonais nesse período é vista como o maior candidato para explicar essa maior frequência de crises de enxaqueca.  Sabe-se também que a menopausa cirúrgica, após retirada dos ovários, costuma provocar crises ainda mais frequentes que a menopausa natural.