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É muito comum os médicos recomendarem aos seus pacientes que sofrem de enxaqueca que evitem a todo custo uma lista de estímulos como é o caso do estresse, locais muito iluminados e esforço físico intenso. Isso pode ter seu lado negativo, já que algumas pessoas podem chegar a evitar qualquer tipo de atividade física.
Pesquisadores da Universidade de Copenhagen acabam de publicar uma pesquisa no periódico oficial da Academia Americana de Neurologia mostrando que esses fatores parecem não fazer tanta diferença assim na vida de quem tem enxaqueca.
A pesquisa envolveu cerca de 30 pacientes com enxaqueca com aura, que é o tipo de enxaqueca que vem acompanhada de sintomas neurológicos como flashes luminosos, alteração da sensibilidade de um lado do corpo ou até mesmo dificuldade em falar. Todos os voluntários tinham a percepção de que o exercício vigoroso ou exposição a muita luz eram fatores desencadeantes de suas crises de enxaqueca. Eles foram então expostos a esses estímulos para ver o quanto realmente provocavam uma crise e isso foi feito com uma prova de bicicleta de uma hora que alcançava 80% da freqüência cárdica máxima e exposição a luz intensa e com piscamento por 30-40 minutos.
Apenas 11% dos participantes do estudo apresentaram uma crise de enxaqueca após os testes. Nenhum deles apresentou crise após o estímulo visual isolado. Esta foi a primeira vez que um estudo experimental de provocação de crises foi conduzido e os resultados apontam que as orientações ao paciente com enxaqueca podem ser menos radicais quando o assunto é exposição aos famosos estímulos ambientais que podem nem ser tão malvados assim.
Um estudo publicado esta semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia revela que as crianças com diagnóstico de enxaqueca têm uma chance 30% maior de ter um rendimento escolar abaixo da média.
Foram estudados mais de cinco mil brasileirinhos de 18 diferentes estados com idades entre cinco e 12 anos. Os professores dessas crianças responderam a um questionário que contemplava o desempenho acadêmico dos alunos e a identificação de problemas emocionais e do comportamento. Os pais também respondiam questões relacionadas ao histórico de dores de cabeça e outros antecedentes patológicos dos filhos.
Quase um quarto das crianças apresentava dores de cabeça com características de enxaqueca e a associação entre as dores de cabeça e pior desempenho escolar foi ainda mais forte entre as crianças com crises mais fortes e mais freqüentes, assim como naquelas que tinham mais problemas de comportamento. O pesquisador Marcelo Bigal, brasileiro radicado nos EUA e um dos autores do estudo, dá o recado que enxaqueca é coisa séria e freqüente entre as crianças e por isso merece toda a atenção por parte dos pais e professores.
Dor de cabeça é um problema que afeta cerca de 50% da população em todo o mundo e, em países como os Estados Unidos e o Canadá, estima-se que até um terço dessas pessoas jamais chegou a procurar um serviço médico para cuidar desse problema. A grande maioria acaba usando analgésicos sem orientação médica o que pode, em alguns casos, dificultar ainda mais o controle das crises de dor. No Brasil as coisas não são muito diferentes. É o que aponta uma pesquisa recém-publicada pelo Headache, periódico oficial da Sociedade Americana de Cefaléia.
Pesquisadores da Faculdade Pernambucana de Saúde, Universidade de Pernambuco e Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira avaliaram 200 pacientes adultos atendidos em três diferentes Unidades Básicas de Saúde da cidade do Recife-PE. Aqueles que referiam ter apresentado pelo menos um episódio de dor de cabeça nos últimos 12 meses responderam a um questionário para melhor caracterização do quadro clínico.
Os resultados mostraram que 52% dos pacientes avaliados referiram ter apresentado dor de cabeça nos últimos 12 meses, mas apenas 10% haviam procurado um médico por esse motivo. O problema já acontecia em média há 10 anos e as mulheres representavam quase 80% dos pacientes. Como já esperado, os diagnósticos mais freqüentes eram os de cefaléia tensional episódica e enxaqueca, os tipos de dor de cabeça mais comuns em nível global.
Aqueles com cefaléia tensional quase não buscaram um médico para orientação, enquanto quase metade dos que tinham o diagnóstico de enxaqueca já havia procurado assistência médica. Além disso, aqueles que não foram atrás de assistência tinham níveis de redução da qualidade de vida por conta das dores não menos significativos do que os que procuraram ajuda.
A principal razão para a não ir ao médico foi o fato dos analgésicos conseguirem controlar as crises de dor, sendo que onze por cento disseram que era porque acreditavam que a dor era secundária a problemas como pressão alta, alterações emocionais e da visão. Essa é uma idéia muito arraigada em nossa cultura, mas essas não são nem de longe as principais causas de dor de cabeça.
Onze por cento desses pacientes que não buscaram ajuda apresentavam mais de 10 dias de dor por mês, resultados que são compatíveis com pesquisas que apontam que a condição de dores de cabeça quase diárias é mais comum no Brasil. Fatores que podem ajudar a explicar esse cenário são o fácil acesso a analgésicos sem prescrição médica e a falta de informação da população de que uma das principais causas de dor de cabeça crônica é o uso exagerado de analgésicos. São comuns em nosso meio os informes publicitários de analgésicos para dor de cabeça, mas não vemos campanhas que esclareçam que o tratamento em muitos casos necessita de uma medicação para prevenir as crises. Essas medicações não são os analgésicos. No presente estudo, mais da metade dos pacientes que não buscaram ajuda eram fortes candidatos a um tratamento profilático.
Os resultados são muito próximos aos de estudos anteriores realizados em Unidades Básicas de Saúde no estado de São Paulo.

Uma série de pesquisas tem demonstrado que mulheres com diagnóstico de enxaqueca têm menor risco de câncer de mama. Mas qual a relação entre essas duas condições?
A enxaqueca poderia funcionar como um fator protetor por favorecer uma vida com hábitos mais saudáveis, com menos consumo de álcool e cigarro (comportamento de evitação) e menos uso de terapia de reposição hormonal. Esses são conhecidos fatores desencadeantes de crises de enxaqueca e que também aumentam o risco de câncer de mama.
Outra hipótese é que o maior consumo de antiinflamatórios por mulheres com enxaqueca poderia ser implicado no menor risco de câncer de mama, já que o uso dessa classe de medicação está associado a um menor risco desse tipo de câncer.
Não é de se espantar uma relação entre a enxaqueca e o câncer de mama, já que ambas são doenças intimamente associadas aos hormônios sexuais. A enxaqueca é duas a três vezes mais comum entre as mulheres e o período em que a mulher tem mais chance de ter crises é justamente na fase do ciclo menstrual em que os níveis de estrogênio caem abruptamente: nos dias que antecedem a menstruação. Além disso, mulheres que usam pílula anticoncepcional têm mais crises na semana livre de hormônios. Por outro lado, durante a gravidez, época em que os níveis de estrogênio estão elevados, as mulheres costumam ter menos crises de enxaqueca.
Antes da puberdade, os meninos até têm um pouco mais de enxaqueca que as meninas, mas aos 20 anos a freqüência já é duas vezes maior entre as mulheres e três vezes maior aos 40 anos.
O candidato mais forte para explicar essa diferença é o perfil hormonal das mulheres e temos várias pistas que apóiam essa idéia: 1) enxaqueca passa a ser mais frequente entre elas a partir da puberdade; 2) mais de 50% apresentam enxaqueca no período menstrual e cerca de 70% das enxaquecosas têm crises mais freqüentes e/ou mais fortes nessa fase do ciclo; 3) a maioria tem menos crises na menopausa e durante a gravidez.
Outra possível explicação é uma diferente resposta das mulheres à percepção do estresse e da dor. Essa é uma idéia que é apoiada por estudos de ressonância magnética que apontam que os circuitos neuronais que envolvem o processamento de emoções são mais robustos entre elas, tanto do ponto de vista estrutural como funcional. Nas mulheres, estímulos dolorosos estimulam esses circuitos de forma mais intensa. Essas peculiaridades são uma preciosa janela para a melhor compreensão das razões que fazem as mulheres terem distúrbios de dor de forma mais frequente, e isso não se limita à enxaqueca.
Problemas de saúde que são muito freqüentes e que têm base genética inequívoca, como é o caso da enxaqueca, fazem-nos sempre refletir se não poderia haver uma vantagem evolutiva para que tantos indivíduos apresentem essa condição. Ao pensarmos nos fatores que comumente desencadeiam crises de enxaqueca (ex: jejum prolongado, estresse, cheiros fortes), poderíamos até compará-los a situações predatórias. Essa é uma forma de encarar a enxaqueca como um aliado e não como um inimigo, um alarme cerebral que nos avisa quando estamos fora do nosso equilíbrio ideal. O cérebro das mulheres então teria evoluído mais do que o dos homens? As mulheres são mais expostas a “situações predatórias”?
Hipoteticamente, ao longo da evolução da espécie muitos se beneficiaram desse alarme e alguns poucos pagam o preço. Estes são os que têm crises de enxaqueca fortes e frequentes. Que bom que a medicina também evoluiu e hoje temos inúmeras opções de tratamento para essa condição neurológica.
No dia anterior à menstruação, a queda abrupta da concentração de estradiol faz com que esse seja o dia do ciclo em que a mulher tem mais chance de apresentar uma crise de enxaqueca. Durante a gravidez, há um aumento expressivo dos níveis desse hormônio, e as crises costumam melhorar na maior parte das mulheres. Entretanto, uma pequena parcela tem suas crises exacerbadas e outra minoria tem as primeiras crises nessa época.
Estima-se que um terço das mulheres apresente dor de cabeça na primeira semana após o parto, sendo que a grande maioria destas tem a recorrência de um quadro de dor de cabeça pré-existente. No caso da enxaqueca, mais da metade das mulheres voltam a apresentar crises no primeiro mês pós-parto.
Também não é rara a dor de cabeça associada à raquianestesia. Ela acontece por uma diminuição da pressão do líquido da espinha que reduz a pressão interna do crânio. A característica mais importante desse tipo de dor é a sua melhora quando na posição deitada e, ao ficar em pé, a dor volta a piorar. O tratamento consiste em hidratação vigorosa, antiinflamatórios, cafeína, e, se não houver melhora, é indicada a infiltração de sangue do próprio paciente próximo ao local da punção original da anestesia. Esse procedimento tem o objetivo de obliterar o orifício que provocou o escape do líquido da espinha.
A cada ano, até 15% das pessoas com enxaqueca passam a apresentar crises quase diárias. Já conhecemos alguns fatores de risco modificáveis que aumentam o risco para a cronificação da enxaqueca: obesidade, distúrbios do sono, excesso de cafeína, tabagismo, eventos estressantes e dor crônica. Entretanto, nenhum fator tem tanto impacto como o uso excessivo de analgésicos. Os estudos epidemiológicos revelam que cerca de 3-4% da população mundial sofre de dor de cabeça diária, grande parte devido ao excesso de analgésicos. Seu consumo não deve exceder mais do que 2 vezes por semana. É um ciclo vicioso: quanto mais analgésicos, mais dor de cabeça. Entretanto, não é difícil imaginar que a divulgação desse problema contraria interesses comerciais de proporções gigantes.
Resolve-se o problema com a suspensão abrupta dos analgésicos e o início de um tratamento com medicação que recolocará a química cerebral no seu lugar certo e que deve durar pelo menos seis meses. Há evidências do benefício do uso de corticóides e/ou neurolépticos nos primeiros dias da “abstinência” dos analgésicos. Durante a retirada, deve-se evitar o uso de analgésicos associados a tranquilizantes, opióides, barbitúricos, cafeína, assim como mistura de analgésicos. Os anti-inflamatórios não hormonais são boas opções nesses casos.
Além do risco de cronificação da enxaqueca, o uso de analgésicos sem instrução médica pode levar a outros riscos, já que algumas medicações são contra-indicadas a depender do tipo de enxaqueca e dos antecedentes patológicos do indivíduo.
A enxaqueca é um tipo de dor de cabeça que costuma ser forte, muitas vezes associada a enjôo no estômago e certa intolerância a ruídos e luz. Em alguns casos, a pessoa tem avisos de que a dor vai começar, como enxergar reflexos luminosos em seu campo visual.
São várias as causas de dor de cabeça, mas a enxaqueca é uma das mais comuns, chegando a afetar até 20% das mulheres, um pouco menos de 10% dos homens, e tem como fator determinante o próprio código genético do indivíduo.
Quando uma condição médica com forte influência genética tem uma frequência tão alta na população, somos sempre levados a refletir se esta condição não representa na verdade uma vantagem do ponto de vista da evolução da espécie humana. As pessoas com enxaqueca seriam seres mais evoluídos?
A dor é um mecanismo de defesa
De acordo com a teoria da evolução e seleção natural, os seres mais adaptados têm maior chance de sobreviver e se reproduzir. Mas como imaginar que um indivíduo que tem dores de cabeça possa ser mais “adaptado” que aquele que não as possui? A dor, de uma forma geral, é vista do ponto de vista evolutivo como um mecanismo de defesa a situações potencialmente danosas ao corpo: por sentirmos dor, retiramos nossa mão de uma água fervente e não nos queimamos. Sabe-se que indivíduos com enxaqueca apresentam uma sensibilidade aumentada a estímulos sensoriais (visuais, auditivos, olfativos), assim como uma menor tolerância a alguns desafios, tais como jejum, insônia, estresse físico e emocional. Podemos argumentar que esta sensibilidade apurada faz com que este indivíduo evite de forma mais eficaz situações e ambientes complexos, que poderiam ser interpretados como predatórios do ponto de vista evolutivo.
Enxaqueca e hábitos saudáveis
Um importante e grande estudo epidemiológico realizado em Baltimore nos EUA e recentemente publicado na revista científica Neurology em abril de 2007 coloca ainda mais lenha na fogueira de que as pessoas com enxaqueca sejam mais “evoluídas”. Cerca de 1.500 indivíduos foram acompanhados por uma média de 12 anos, e repetidos testes das suas habilidades cognitivas foram realizados. Ao envelhecer, os indivíduos com o diagnóstico de enxaqueca mantiveram sua performance cognitiva com mais sucesso do que aqueles sem enxaqueca. Além de diferenças biológicas, um fator que pode explicar essa diferença é o que essas pessoas possam atravessar os anos com hábitos de vida mais saudáveis, já que elas teriam um alarme cerebral que os afasta instintivamente de situações “predatórias”.
Não há dúvidas de que pessoas com enxaqueca podem ter suas crises desencadeadas por eventos estressantes, ingestão de um determinado alimento, pelo jejum prolongado ou pela simples percepção de um perfume mais forte. A maior recomendação para que estes “seres evoluídos” tenham uma boa qualidade de vida é evitar estímulos que sabidamente provocam crises. Se sabemos que um leão é um predador perigoso, por que provocar encontros regulares com ele?
Alguns estudos têm revelado que a prevalência de enxaqueca na população vem aumentando ao longo das últimas décadas, e uma possível explicação para esse fenômeno é o fato de estes indivíduos “geneticamente evoluídos” confrontarem-se de forma mais frequente com estímulos desencadeadores da dor descritos acima. Então deveríamos recomendar que as pessoas com enxaqueca vivessem numa redoma de vidro?
Estímulos x crise
Charles Darwin foi um homem que sofreu de dores de cabeça recorrentes e incapacitantes, que provavelmente correspondiam a crises de enxaqueca. Talvez isso contribuísse em parte para sua fama de antissocial. Nem por isso deixou de rodar o mundo a bordo do Beagle e virar de cabeça pra baixo o pensamento de toda a humanidade.
O indivíduo com enxaqueca deve aprender a reconhecer quais são os estímulos que desencadeiam suas crises e evitá-los quando possível. Na época de Darwin, era prática comum colocar as metades de uma laranja nas têmporas para tentar aliviar a dor de cabeça. Hoje temos ferramentas mais eficazes. Na hora das crises, deve-se usar analgésicos da forma mais precoce possível (consultando sempre um médico), pois, depois de um certo tempo de dor, a chance de o remédio ajudar passa a ser menor.
Quando as dores passam a ser frequentes, o uso recorrente de analgésicos pode até piorar a situação e, na maioria das vezes, um tratamento com outros tipos de remédio é indicado. A visita a um especialista é importante não só para orientar o tratamento, mas também para avaliar se a origem da dor é realmente a enxaqueca.
É muito frequente no consultório de neurologia uma pergunta que costuma vir acompanhada de uma entonação pessimista: “Então doutor? Pelo jeito, enxaqueca não tem cura mesmo, não é?” Cura? Vamos conversar melhor sobre esse assunto.
Os órgãos do nosso corpo apresentam um sistema de dor que nos serve como um alarme. No caso do cérebro de uma pessoa que tem enxaqueca, essa tarefa é realizada pelo nervo trigêmeo em conjunto com os vasos sanguíneos cerebrais que são capazes de disparar o fenômeno de dor. Essa é uma forma de entender a enxaqueca como um fenômeno de proteção do cérebro que nos avisa que algo não está bem. Tanto os neurônios como os vasos cerebrais estão envolvidos como principais protagonistas da enxaqueca, mas ainda há muito por se descobrir.
Podemos dizer que a pessoa que apresenta enxaqueca tem um cérebro que funciona um pouquinho diferente. É um cérebro que se excita com mais intensidade a diferentes estímulos externos, como é o caso da luminosidade e cheiros, ou a estímulos internos, como por exemplo, a privação de sono e o estresse psíquico. Sabemos que essa super-excitação cerebral, condição determinada geneticamente, predispõe o indivíduo com enxaqueca à liberação de componentes neuroquímicos que podem desencadear a dor de cabeça.
Felizmente, a maioria das pessoas que tem enxaqueca apresenta crises mensais ou até menos do que isso. Quando as crises atingem uma freqüência maior ou igual a três vezes por mês, ou uma freqüência até menor, mas sem resposta satisfatória aos analgésicos, um tratamento profilático é indicado. Esse tratamento é feito através do uso diário de uma medicação independente da presença de dor e por um período de pelo menos seis meses.
Um tratamento de sucesso é aquele que consegue reduzir a intensidade e freqüência das crises em pelo menos 75%. Pode-se perceber que a meta não é a cura, pois mesmo após o sucesso do tratamento, a pessoa pode continuar a apresentar crises esporádicas, especialmente quando enfrenta situações que já são reconhecidas como precipitantes de crises. Essas situações são muito individuais e, por isso, listas de proibições rígidas podem ser mais penosas do que benéficas ao paciente.
Enxaqueca não se cura, mas pode ser controlada. Parando para pensar, quais são as condições clínicas que realmente podem ser curadas? Talvez você não consiga enumerar mais exemplos do que o número de dedos que tem na sua mão.
O cérebro de uma pessoa com enxaqueca excita-se com mais intensidade do que o normal a diferentes estímulos externos (ex: luminosidade) ou internos (ex: privação de sono). São inúmeros os estímulos capazes de desencadear crises de enxaqueca, porém, a resposta a cada um deles é muito individual e, por isso, listas de proibições rígidas podem ser mais penosas do que benéficas ao paciente.
Habitualmente, um estímulo deve ser reconhecido como fator desencadeante de crises num determinado indivíduo quando as provoca em mais de 50% das vezes, dentro de 24h, após a exposição a ele. É recomendável que cada pessoa identifique seus fatores desencadeantes e tente evitá-los. Entretanto, algumas atitudes podem ser recomendadas a qualquer pessoa que tenha crises de enxaqueca:
- Reduza o estresse no dia a dia;
- Tente dormir sempre o mesmo número de horas por dia: evite tanto a privação como o exagero de sono;
- Faça suas refeições em horários regulares: evite o jejum prolongado;
- Evite alimentos identificados como desencadeantes de crises;
- Evite o consumo de álcool, especialmente o vinho tinto;
- Evite o excesso de cafeína. Porém, não suspenda o consumo de cafeína de um dia para o outro;
- Evite a exposição a luzes, ruídos e cheiros fortes;
- Faça exercícios físicos moderados pelo menos 5 vezes por semana. Evite atividade física exagerada e em horários muito quentes;
- Não deixe de beber sempre muita água: a desidratação é um fator desencadeante de crises.
Quanto à dieta, é bom conhecer as substâncias que são frequentemente associadas a crises de enxaqueca, e em quais alimentos você as encontra. Alguns estudos demonstram que de 7 a 30% dos pacientes reconhecem algum alimento como fator desencadeante de crises, sendo os mais comuns: chocolate, queijos, frutas cítricas e bebidas alcoólicas.
Uma boa parte das substâncias envolvidas pertence à família das Aminas Biogênicas, produtos naturais do metabolismo de plantas, animais e micro-organismos, como é o caso do processo de fermentação de alguns alimentos (ex: vinho, queijo).
Os mecanismos de ação dessas substâncias incluem a provocação dos vasos cerebrais (vasoconstrição ou vasodilatação), estímulo de liberação de neurotransmissores, assim como estímulo direto aos centros e vias nervosas envolvidas no processo da enxaqueca. Há também evidências de que fatores alérgicos possam estar associados, tema que ainda é bastante controverso.
Veja abaixo uma lista com os principais alimentos que podem desencadear as crises:
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O objetivo desta lista de alimentos não é o de criar um padrão de evitação obsessivo na dieta de pessoas que têm enxaqueca. Alguns itens são bastante saudáveis, outros muito prazerosos, e só devem ser evitados se uma relação causa-efeito entre o consumo e o desencadeamento de crises for percebida. |
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| ALIMENTOS | SUBSTÂNCIAS ENVOLVIDAS |
| Bebidas alcoólicas, especialmente as fermentadas (ex: vinho e cerveja) | Tiramina, Histamina, Feniletilamina, Poliaminas |
| Queijos, especialmente os amarelos e envelhecidos | Tiramina, Histamina, Feniletilamina, Poliaminas |
| Chocolate | Tiramina, Feniletilamina, Cafeína, Teobromina |
| Café, refrigerantes tipo cola, chás, chimarrão | Cafeína, Teofilina, Teobromina |
| Carnes processadas, defumadas, embutidos | Tiramina, Histamina, Feniletilamina, Putrescina, Cadaverina, Espermina.Nitratos e Nitritos são utilizados para realçar a coloração e sabor de produtos industrializados, tais como carnes, salsichas, linguiças, bacon, presunto e alimentos defumados |
| Ajinomoto, caldos Maggi e Knorr, molho Shoyu, comida chinesa | Glutamato de sódio |
| Adoçantes artificiais –Aspartame e Sucralose. | Ambos são adoçantes artificiais descritos como potenciais desencadeadores de crises de enxaqueca em alguns indivíduos, sendo que, no caso do Aspartame, tal associação tem sido descrita de forma mais consistente |








