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Por Dr, Ricardo Afonso Teixeira*

A maioria das mulheres melhoram muito das crises de enxaqueca no período da gravidez, mas cerca de 8% pioram nessa fase e isso aumenta o risco de desfechos clínicos ruins, tanto da mãe quanto do bebê. É muito comum na prática clínica de um neurologista o atendimento de gestantes sofrendo de crises debilitantes de enxaqueca e na maioria das vezes por subtratamento. É frequente a gestante receber a orientação de que o paracetamol é a medicação mais indicada nesses casos. Entretanto, as crises nem sempre são responsivas a essa medicação.

Os triptanos são uma família de medicações com eficácia superior aos analgésicos comuns, como o paracetamol, e há vários anos já são considerados seguros no tratamento da enxaqueca na gestação. Entretanto, estima-se que três em cada quatro mulheres interrompem o uso dessas medicações ao descobrirem que estão grávidas.

O sumatriptano é o mais estudado deles e esta semana tivemos mais uma evidência robusta que seu uso antes e durante a gravidez não interferiu no neurodesenvolvimento de crianças acompanhadas por oito anos em média, alguns até os 14 anos de idade. De todas as gestações na Noruega, os filhos das mulheres que usaram sumatriptano no último ano antes da gravidez e durante a gravidez não apresentaram maiores índices de retardo mental, transtornos de comportamento ou linguagem, transtorno do espectro autista ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.  Ótimas notícias para as gestantes e mais uma evidência para encorajar os médicos a perderem o receio de prescrever triptanos durante a gestação. O estudo foi publicado recentemente na Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia.

* Extraído da coluna semanal Neurônios em Dia, parceria entre o Instituto do Cérebro de Brasília e o Correio Braziliense. Confira mais sobre esse assunto e outros conteúdos acessando nosso site (link na bio): http://www.icbneuro.com.br

Headache and pregnant girl

 

No dia anterior à menstruação, a queda abrupta da concentração de estradiol faz com que esse seja o dia do ciclo em que a mulher tem mais chance de apresentar uma crise de enxaqueca. Durante a gravidez, há um aumento expressivo dos níveis desse hormônio, e as crises costumam melhorar na maior parte das mulheres. Entretanto, uma pequena parcela tem suas crises exacerbadas e outra minoria tem as primeiras crises nessa época.

 

Estima-se que um terço das mulheres apresente dor de cabeça na primeira semana após o parto, sendo que a grande maioria destas tem a recorrência de um quadro de dor de cabeça pré-existente.  No caso da enxaqueca, mais da metade das mulheres voltam a apresentar crises no primeiro mês pós-parto.

  

Também não é rara a dor de cabeça associada à raquianestesia. Ela acontece por uma diminuição da pressão do líquido da espinha que reduz a pressão interna do crânio. A característica mais importante desse tipo de dor é a sua melhora quando na posição deitada e, ao ficar em pé, a dor volta a piorar. O tratamento consiste em hidratação vigorosa, antiinflamatórios, cafeína, e, se não houver melhora, é indicada a infiltração de sangue do próprio paciente próximo ao local da punção original da anestesia. Esse procedimento tem o objetivo de obliterar o orifício que provocou o escape do líquido da espinha.